O cerco a Gleisi se fecha

O cerco a Gleisi se fecha

A situação da senadora e presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), Gleisi Hoffmann, pode se complicar, de modo dramático, a depender do prosseguimento das investigações da Polícia Federal, em se tratando de um gigantesco esquema criminoso de distribuição de propinas. Vale, no entanto, lembrar que Gleisi Hoffmann já é ré no Supremo Tribunal Federal (STF) em um outro processo, devido a repasses de mais de R$ 1 milhão, em caso de corrupção relacionado a desvios de dinheiro público da Petrobras.

Com base em planilhas apreendidas, depoimentos de testemunhas, acesso a dados bancários e mensagens eletrônicas, os policiais conseguiram rastrear todo o caminho de grande parte do dinheiro entregue a Gleisi, Paulo Bernardo e pessoas ligadas ao casal, que receberam recursos desviados no esquema de corrupção. O quinto, no valor de R$ 300 mil, teria como origem a TAM Linhas Aéreas, mas os documentos sobre o repasse também foram apreendidos na Custo Brasil.

A operação foi deflagrada em 23 de junho quando prendeu Paulo Bernardo - solto seis dias depois por ordem do ministro Dias Toffoli.

A empresa de software Consist teria desviado R$ 100 milhões de empréstimos consignados entre 2010 e 2015 no Planejamento. Ele ocupou o cargo entre 2005 e 2011. "Tais pagamentos aparecem como tendo sido feitos regularmente pelo escritório de Guilherme Gonçalves, mas na realidade tratavam-se de valores de corrupção recebidos pelo escritório de Guilherme Gonçalves", diz a PF.

Além disso, segundo Bender, em determinada ocasião, Gonçalves solicitou que ele comprasse um videogame Nintendo 3DS "para o filho do ministro".

A defesa de Paulo Bernardo disse que ele não é investigado neste inquérito. Além disso, existem suspeitas de que Guilherme Gonçalves repassou dinheiro a Gleisi.

A informação sobre o pagamento foi encontrada pela PF em uma planilha "eleitoral Gleisi" apreendida com o advogado Guilherme Gonçalves na Custo Brasil.

Ao término da visita do ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, a porta-voz oficial do ex-presidente declinou a jurisprudência segunda a qual permitiu 145 candidatos a prefeito presos no país concorrer às eleições municipais, eleitos, eles assumiram os cargos. Na primeira, não soube das explicações sobre a contratação do escritório de advocacia de Gonçalves.

No segundo testemunho, Bologna disse que o ex-diretor Jurídico da empresa poderia ter mais informações e acrescentou que não havia motivo ou contrapartida para fazer pagamento à senadora e seu marido. Com que objetivo? Nunca tive contas pagas por terceiros nem recebi dinheiro ilegal para mim ou para campanhas eleitorais. A investigação a que se refere a reportagem se arrasta há dois anos e meio e não concluiu nada, a julgar pelas insinuações levianas, que remetem a terceiros, ao invés de sustentar acusações concretas.

Na opinião de Gleisi, não há qualquer fato ou prova que possa levar à conclusão do relatório. Lamento que esteja sendo mais uma vez vítima de calúnias e de perseguição político-judicial-midiática. A companhia reafirma o seu forte compromisso com o cumprimento das normas e leis aplicáveis.