Escândalo sexual na Igreja chilena: todos os bispos pedem demissão ao papa

Escândalo sexual na Igreja chilena: todos os bispos pedem demissão ao papa

Cidade do Vaticano, 18 mai 2018 (Ecclesia) - O Papa salientou numa carta enviada aos bispos chilenos que os casos de pedofilia envolvendo estruturas católicas naquele país devem levar a uma atuação firme da Igreja.

Num documento revelado pelo canal televisivo T13, o papa Francisco afirma que bispos e superiores de ordens religiosas do país entregaram a direção de seminários ou noviciados a "padres suspeitos de suspeitos de homossexualidade ativa" e que religiosos expulsos das suas ordens por "comportamentos imorais" foram acolhidos em outras dioceses com cargos em que mantinham "um contato cotidiano e direto com menores".

Todos os bispos chilenos apresentaram a sua renúncia depois de três encontros com o papa Francisco, no Vaticano, na sequência do escândalo de abusos sexuais que abalou a Igreja chilena.

Três das vítimas foram recebidas, em separado, a 3 de maio, e pediram ao Papa que tome medidas.

Inicialmente, Francisco não acreditou nos rumores nas acusações sobre o bispo chilena.

"À luz destes acontecimentos dolorosos sobre os abusos - de menores, de poder e de consciência -, nos aprofundamos na gravidade dos mesmos e assim como nas consequências trágicas que tiveram particularmente para as vítimas", reconheceu o pontífice.

O pontífice argentino criticou implicitamente a decisão do presidente americano, Donald Trump, de reconhecer Jerusalém como capital de Israel. Na terça-feira, depois do primeiro encontro, o papa impôs a eles 24 horas de silêncio, a serem dedicadas "à meditação e à oração".

Karadima foi condenado em 2011 pela justiça canónica a uma vida de reclusão e penitência por esses atos.

Antes das reuniões cruciais, o bispo Fernando Ramos, secretário da Conferência Episcopal, e o bispo Juan Ignacio González expressaram á imprensa sua "dor e vergonha" e disseram estar dispostos a acatar as medidas tomadas pelo chefe da Igreja Católica. No entanto, acabou condenado pelo Vaticano por abusos sexuais contra menores e leva uma vida em isolamento.

Além de Barros, outro prelado questionado é o arcebispo emérito de Santiago, Francisco Javier Errázuriz, que não foi ao Vaticano. João Paulo II fez isso em 2002 com a Igreja dos Estados Unidos.