PF diz que caixa 2 financiou reforma do sítio de Atibaia

PF diz que caixa 2 financiou reforma do sítio de Atibaia

A obra teria custado no total R$ 1,05 milhão.

No entanto, de acordo com peritos, não há no sistema alguma referência que o dinheiro foi redirecionado à obra do sítio em Atibaia.

A obra é a mesma cujo nome aparece nos documentos apresentados pelo engenheiro da Odebrecht à Justiça Federal no Paraná.

"Os 4 ingressos de recursos, que totalizaram R$ 700 mil, foram destinados à conta denominada 'Caixa Livre Salvador - real'". O documento comprova que dinheiro da Petrobras foi usado para abastecer um caixa de propinas da empresa.

"Em última análise, a origem primária dos pagamentos efetuados pelo SOE [Setor de Operações Estruturadas] seriam todas as obras que, por meio de contratos fictícios ou superfaturados, tiveram seus recursos desviados para formar o caixa único", conclui o documento.

A PF diz ter encontrado nas planilhas do sistema de propinas da Odebrecht R$ 700 mil em pagamentos feitos para reformas no sítio de Atibaia atribuído ao ex-presidente Lula.

Os peritos também responderam à defesa de Lula que tanto as obras relacionadas à Aquapolo quanto as da Petrobras "foram utilizadas pelo Setor de Geração para geração de recursos de Caixa 2, com transferências para o Caixa Único, gerenciado pelo Setor de Operações Estruturadas".

Ainda de acordo com o portal de notícias, a defesa de Lula tem afirmado que o ex-presidente nunca recebeu ou solicitou qualquer benefício indevido de qualquer empresa.

"Não foram encontradas, no contexto da ação penal, até a data de emissão deste laudo, nas pesquisas efetuadas no material examinado (sistema Drousys e sistema MyWebDay) documentos os lançamentos que façam referências a termos tais como Atibaia, Sítio ou Santa Bárbara".

Busca-se com isso, uma vez mais, contornar os critérios legais de competência por meras referências, sem qualquer base concreta, a valores provenientes da Petrobras, exatamente como fez a denúncia.

Para a defesa, "o laudo pericial, nessa perspectiva, buscou criar uma nova fórmula em branco para a escolha da jurisdição de acordo com a conveniência dos agentes envolvidos, o que colide com a garantia constitucional do juiz natural (CF/88, art. 5º, LIII) e por isso é inaceitável".

A perícia da PF que relaciona os valores desviados da Petrobras ao caixa geral de propinas da Odebrecht que, dizem os delatores, custeou as obras no Sítio Santa Bárbara, vem à tona três semanas depois de a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) tirar do juiz federal Sergio Moro as delações premiadas de executivos da empreiteira que citavam as supostas propinas pagas a Lula por meio das reformas na propriedade.