'Criminoso do ano', gritam manifestantes ao receber Moro em Nova Iorque

'Criminoso do ano', gritam manifestantes ao receber Moro em Nova Iorque

O juiz Sergio Moro minimizou, na manhã desta quarta-feira (16), a repercussão nas redes sociais da foto que tirou ao lado do ex-prefeito de São Paulo João Doria, pré-candidato do PSDB ao governo de São Paulo. Tinha uma gravata vermelha e uma gravata azul, isso pode ter diferentes sentidos. "A azul poderia ser o PSDB ou até o Partido Democrata".

Acompanhado de sua mulher, Rosângela Wolff Moro, o juiz foi aplaudido por mais de mil pessoas que pagaram a partir de US$ 1.200 para ouvir o juiz brasileiro discursar, com direito a jantar de gala realizado no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque. Ele optou pela vermelha, que é a cor do logotipo do Lide. Na cerimônia realizada em Nova York, o juiz da Lava Jato em Curitiba posou para fotos ao lado do ex-prefeito de São Paulo, que recebeu o mesmo prêmio em 2017, João Doria. "Se um dia sair da magistratura, eu posso tentar atuar nesta área". Segundo ele, até o momento, o combate aos corruptos e corruptores partiu de policiais e juízes.

Em sua palestra, contudo, ele disse que é falsa a acusação de que a Lava-Jato faz perseguição partidária, lembrando que, além de integrantes do PT, foram condenados políticos de outros partidos, como PTB, PMDB e do PP. - A corrupção não escolhe cores partidárias, ela se inflitra onde encontra espaço - disse ele, que depois foi questionado pela plateia de empresários sobre como via o fato de ser o titular da 13a. Também destacou que aceitou o prêmio porque significar que "o setor privado, em geral, apoia o movimento anticorrupção".

Moro negou a existência de problemas eventuais nas eleições no Brasil por conta da corrupção.

O magistrado foi taxativo ao afirmar, em Nova York, que, apesar de dois impeachments presidenciais (Fernando Collor de Mello e Dilma) e de um ex-presidente preso (Lula), não houve e não há qualquer sinal de ruptura democrática no Brasil. "Digo que o que as construtoras fizeram foi vergonhoso, mas passaram a corrigir seus problemas", apontou Moro.