"São acontecimentos graves que não podemos banalizar" — Marcelo

"Somos bons a fazer de conta que não é grave aquilo que é grave, que é normal aquilo que não é normal", acrescentou, sublinhando que este assunto - a paz no desporto - chegou a ser discutido no parlamento, até com as presenças dos presidentes de Benfica e Sporting na Assembleia para um debate.

"Sob pena de permitirmos escaladas que são más para o desporto português e são más para a sociedade portuguesa como um todo", enfatizou o Presidente. "Este tipo de factos, alegadamente criminosos, nomeadamente esta atuação coletiva, não são uma realidade isolada", começa por salientar Marcelo Rebelo de Sousa.

O chefe de Estado refere que existe "um contexto e aqui conhecemos bem, que é o aumento da violência no futebol português".

"Tive o sentimento de alguém que se sente vexado pela imagem projetada por Portugal no Mundo".

"Vexado porque Portugal é uma potência no desporto, nomeadamente no futebol profissional, e vexado pela gravidade do que aconteceu".

Marcelo Rebelo de Sousa defendeu que em Portugal "não pode haver dois 'Portugais', um Portugal que é estado de direito democrático e o outro que vive à margem do estado de direito democrático".

"Há um clima de serenidade que é preciso criar" e leis a respeitar, diz Marcelo.

PRESIDENTE MARCELO SENTE-SE “VEXADO”

O canal France 2 esteve em Lisboa a acompanhar o Festival Eurovisão da Canção e conversou com Marcelo Rebelo de Sousa no Palácio de Belém.

"Temos de ter a noção de que é fundamental para o futebol e desporto que se perceba que o clima criado ao longo dos tempos não pode nem deve continuar sob pena de uma escalada que vai destruir o desporto português, vai desprestigiá-lo cá dentro e lá fora", afirmou o Presidente da República.

Na linha de pensamento, o Presidente da República sustenta que não quer ver ninguém 'assobiar para o lado'. Temos de refletir e atuar quem deve atuar.

Marcelo considerou necessário travar a escalada [de violência]: "Se não é travada agora, então quando for, mais adiante, é por meios mais drásticos e penosos".

"Escalada do problema pode destruir o futebol". Os jogadores do Sporting e a equipa técnica foram agredidos no balneário.

À noite, um grupo de adeptos fez uma vigília em Alvalade para apoiar os jogadores.