BlacKkKlansman de Spike Lee recebe uma enorme ovação de pé em Cannes

BlacKkKlansman de Spike Lee recebe uma enorme ovação de pé em Cannes

Vinte e sete anos depois, Spike Lee fez o regresso na segunda-feira à noite ao Festival de Cannes com "BlacKKKlansman", um "thriller" panfletário contra o racismo, a extrema-direita e o presidente Donald Trump, que ele atacou durante uma conferência de imprensa.

"BlacKkKlansman" revela os bastidores da mais notória organização racista e de extrema direita dos Estados Unidos, a Ku Klux Klan, por meio de uma trama inacreditável, ainda que verídica, em que um policial afro-americano do Colorado se infiltra em suas fileiras, em plenos anos 1970.

O filme recebeu muitos aplausos do público presente no Grand Théâtre Lumière, diante de um Spike Lee com uma boina preta e vestindo uma jaqueta com folhas douradas, exibindo dois socos-ingleses com as palavras LOVE e HATE.

O mesmo Spike Lee se entregou a um discurso contundente contra o presidente Trump nesta terça-feira (15), diante dos repórteres. "Nós temos um sujeito na Casa Branca, eu não vou dizer o nome dele, que no momento decisivo, não apenas para a América, mas para o mundo, teve a chance de dizer: 'Nós estamos do lado do amor, não do ódio'. Mas aquele filho da p*ta não denunciou a maldita Klan, os extremistas de direita e os nazistas filhos da p*ta".

Esta esquizofrenia dramática define, afinal, a moral da história segundo Spike Lee, conduzindo o filme, a pouco e pouco, para uma impressionante vibração emocional - no final, "Blackkklansman" integra mesmo imagens das agressões dos partidários da supremacia branca em 2017, incluindo ainda o discurso em que Donald Trump considerou que havia "boas pessoas" em "ambos os lados". Mas quando se trata de entrar fisicamente no local do Klan, ele precisa de uma cobertura: entra em cena seu colega Flip Zimmerman (Adam Driver), branco e judeu.

A dupla está muito bem e faz com que o filme muitas vezes transborde para a comédia pura.

Na última imagem do filme aparece uma bandeira americana invertida, com as estrelas para baixo, o que, algo que, segundo o código da bandeira naquele país, só pode acontecer "como sinal de terrível sofrimento em situações de extremo perigo para a vida ou a propriedade".

Spike Lee voltou à competição do Festival de Cannes em alto estilo.