Ministro da Saúde diz que demissão "não tem sentido"

Ministro da Saúde diz que demissão

Afinal, o PSD pediu ou não a demissão do ministro da Saúde?

O ministro da Saúde respondeu esta sexta-feira ao pedido de demissão feito pelo PSD, dizendo que tal não faz "nenhum sentido". Independentemente de o seu partido poder solicitar a demissão de um membro do Governo, Rio limitou-se a frisar: "Pode, mas não é propriamente o meu estilo".

Sob fogo cerrado não apenas da direita mas também do Bloco de Esquerda e do PCP (foram os comunistas a pedirem o debate desta manhã), Adalberto Campos criticou o "oportunismo populista" do PSD e o "número mediático" que considera ter sido a exigência feita pelo deputado social-democrata.

"O que nós sugerimos, vou repetir a palavra, sugerimos ao senhor ministro da Saúde é que (.) possa repensar a sua função, a sua presença no Governo. Face ao descalabro em que está instalado o Serviço Nacional de Saúde, a única atitude séria que se podia esperar do senhor ministro da Saúde era a sua demissão hoje, aqui e agora".

O PÚBLICO sabe que Rio mostrou muito incómodo com as notícias em torno do pedido de demissão mas que essa foi a indicação dada pelo vice-presidente da bancada Adão Silva ao deputado para a sua intervenção no plenário.

Nestas declarações aos jornalistas, Rui Rio defendeu ainda que tem visitado imensas unidades de saúde e "é claro que a situação está pior do que estava há dois anos".

Questionado se a "sincronização" entre bancada e direção do partido se estende à definição da estratégia a adotar sobre o caso judicial que envolve o antigo primeiro-ministro José Sócrates, Adão Silva disse não ter comentários a fazer. "Estamos sincronizados com o dr. Rui Rio", afirmou. "E precisamos de um primeiro-ministro e de um ministro das Finanças que não o menorizem desta forma", disse a depurada Isabel Galriça Neto, dirigindo-se ao ministro Adalberto Campos Fernandes. Questionado sobre a iniciativa invulgar de um partido da oposição pedir a demissão de um ministro, o governante não poupou o porta-voz social-democrata: "Como reparou o senhor deputado estava em campanha. No final da intervenção fez apelo ao voto no PSD". "Acha que é para levar a sério a interpelação de um deputado com estas características que faz do anfiteatro parlamentar uma sala de comício", questionou o ministro.