"Os principais suspeitos são o procurador e o juiz" — Sócrates

O antigo primeiro-ministro José Sócrates vai constituir-se assistente no processo-crime aberto pela Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre a divulgação dos vídeos dos seus interrogatórios no âmbito da Operação Marquês, anunciou hoje em conferência de imprensa.

Sócrates assumiu ainda que, no que toca à violação do segredo de justiça, os "principais suspeitos" são "o procurador e o juiz". Mas o juiz Carlos Alexandre definiu já uma data limite para o início da fase de instrução - fase optativa em que se decide se existem indícios suficientes para levar os arguidos a julgamento: "Tudo ponderado, entende o juiz de instrução criminal signatário fixar em setenta dias o prazo de prorrogação para requerer a abertura de instrução, contados a partir de 9 de maio, isto é, fixando-se como prazo limite, para tal efeito, o dia 3 de setembro de 2018".

"Não, não há nenhum interesse público nisto". "Por acção ou por negligência são eles os autores morais dessas e das demais violações da lei que ocorreram", proclamou o principal arguido da Operação Marquês.

José Sócrates, que chegou a estar preso preventivamente durante dez meses e depois em prisão domiciliária, está acusado de três crimes de corrupção passiva de titular de cargo político, 16 de branqueamento de capitais, nove de falsificação de documentos e três de fraude fiscal qualificada.

"No interrogatório é possível ouvir o senhor procurador dizer que a acusação tem a ver com a dimensão das adjudicações à empresa Lena, que teria tido uma percentagem de 10,6% do total, muito acima da sua quota de mercado", recordou.

"Mostra-se garantido o acesso pelos arguidos a todas as sessões de interceção produzidas ou recolhidas nos presentes autos em paridade de armas com a acusação", refere o juiz num despacho a que o SOL teve acesso, decidindo: "Indefere-se a requerida nulidade das interceções telefónicas aqui utilizadas como prova".