Relator no Cade recomenda aprovação da compra da XP Investimentos pelo Itaú

Relator no Cade recomenda aprovação da compra da XP Investimentos pelo Itaú

Ela deve ser seguida por João Paulo de Rezende e o voto do relator, Paulo Burnier, é tido como incerto. Nos últimos dias, ele ainda pediu informações ao Bradesco para avaliar o que ocorreu quando o banco adquiriu a Ágora, em 2008, quando era a maior corretora do país.

"A operação é bastante sensível, pois a aquisição de um 'player' disruptivo por um incumbente pode ser motivada por uma necessidade de proteção do próprio mercado, levando ao arrefecimento do nível competitivo em geral, o que teria efeitos nefastos para o bem-estar econômico", diz o parecer da superintendência do Cade.

Com os remédios apresentados, a maioria do conselho do Cade se convenceu da possibilidade de aprovação do caso. Já em 2022, outro percentual adicional de 12,5% garantirá ao banco a posse de 74,9% do capital social total e 49,9% das ações ordinárias da XP.

A compra de 49,9% da corretora pelo banco foi anunciada em maio do ano passado pelas empresas por R$ 6,257 bilhões. Além disso, o Itaú não poderá se manifestar em relação às decisões sobre inclusão ou exclusão de parceiros de negócio na plataforma XP e em outras questões comerciais sensíveis, caso o acordo seja aprovado.

Os bancos têm demonstrado crescente interesse no mercado de plataformas abertas de investimentos, sobretudo após a recente perda de clientes para o setor.

Não será permitida exclusividade a gestores e emissores de papéis.

O acordo terá validade até 31 de dezembro de 2022. No acordo negociado com a superintendência, que deverá ser confirmado pelo Cade, há a previsão ainda de que, caso o Itaú venha a adquirir o controle da XP, a nova operação deverá ser notificada ao Cade para que seja reavaliada. A operação entre as companhias está na pauta da sessão de julgamento da próxima quarta-feira (14) e as partes teriam conseguido chegar a um acordo com os conselheiros da autarquia. É a primeira vez que o conselho analisa uma operação que só será plenamente concretizada no futuro.

Em resumo, vai se limitar a influência do Itaú nas decisões da XP e nem privilegiar a corretora em suas ações.