Brasil vai pedir aos EUA não pagar taxas sobre aço e alumínio

Brasil vai pedir aos EUA não pagar taxas sobre aço e alumínio

O Brasil, que depois do Canadá é o maior fornecedor de aço para o mercado norte-americano, prepara recursos a dois órgãos do governo dos Estados Unidos, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic). É uma ideia que se enfraquece à medida em que Trump abre negociações comerciais país a país.

Os lobistas brasileiros vão agir em duas frentes: no Congresso e com os empresários americanos.

O argentino Mauricio Macri ligou para Trump na semana passada e o líder americano teria se comprometido a avaliar o pedido dos argentinos, que exportam só US$21,5 milhões em aço e US$ 494,6 milhões em alumínio. A exigência deve criar uma saia-justa para várias chancelarias que ensaiaram levar os EUA a julgamento na entidade. Não ficou claro para os negociadores o que isso significaria de fato. Eles também querem garantias de que os países vão lutar contra o desvio de aço subsidiado de países de origem.

A indústria do aço e de alumínio calculam a nova taxação americana-alumínio terá taxa extra de 10%- trará perdas acima de US$ 3 bilhões ao Brasil, o segundo maior exportador de aço para os EUA, só atrás do Canadá, que será isento das novas tarifas.

Mesmo após o detalhamento, os diplomatas europeus insistem que os critérios não estão claros e que não é possível saber o peso de cada argumento, nem quem os monitoraria. O Japão, como a União Europeia, exige isenção dos impostos. Desta vez, a reunião envolveria apenas os técnicos.

A tarifa adicional de 25% sobre as importações de aço e de 10% sobre as de alumínio preocupa o governo brasileiro, já que a nova tarifa comercial vai afetar as exportações brasileiras dos dois produtos e pode resultar em contestação brasileira, nos organismos internacionais. O governo Michel Temer pode ser pressionado a colocar na mesa as discussões sobre o acordo entre Embraer e Boeing, em negociação para que a brasileira auxilie a norte-americana a cobrir uma lacuna no segmento de viação comercial.

O governo brasileiro tem alegado, nos contatos com autoridades dos EUA, que existe complementaridade entre a produção de aço dos dois países.

Vanessa Pontes, superintendente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico no Estado do Ceará (Simec), avalia que a sobretaxa onera os exportadores de aço para os EUA e gera desigualdade competitiva em favor das siderúrgicas norte-americanas.

As medidas norte-americanas minarão os esforços em curso no Foro Global do Aço, do qual os EUA fazem parte, com vistas a uma solução para a questão do excesso de capacidade no setor siderúrgico, verdadeira raiz dos problemas enfrentados pelo setor.

As medidas restritivas às importações de aço e alumínio são incompatíveis com as obrigações dos EUA ao amparo da Organização Mundial de Comércio, e não se justificam, tampouco, pelas exceções de segurança do GATT 1994.

Ao mesmo tempo em que manifesta preferência pela via do diálogo e da parceria, o Brasil reafirma que recorrerá a todas as ações necessárias, nos âmbitos bilateral e multilateral, para preservar seus direitos e interesses.