Brasil é suspenso de consórcio internacional de astronomia

Brasil é suspenso de consórcio internacional de astronomia

RIO- O Brasil foi suspenso, nesta segunda-feira, do Observatório Europeu do Sul (ESO), um importante grupo mundial de astronomia.

"Considerando ser improvável que a ratificação do Acordo de Acesso seja concluída num futuro próximo, o Conselho do ESO decidiu suspender o processo até que o Brasil esteja numa posição de completar a execução do Acordo, possivelmente por meio de uma renegociação", diz uma "nota de esclarecimento" divulgada pelo ESO hoje. Segundo o ESO, o Brasil foi retirado do consórcio internacional por não ter finalizado o processo de adesão ao grupo e, como consequência, não ter pagado nenhuma quantia devida até o momento. "Os arranjos vigentes, porém, estarão suspensos a partir de 1 de abril de 2018". Acordo visava o acesso da comunidade científica brasileira aos maiores telescópios do mundo. Desde 2015 o ESO esperava uma confirmação de um acordo por parte do governo brasileiro, mas como não obteve resposta, decidiu rescindir o contrato. Na época, o até então ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, havia concordado em tornar nosso país um membro pleno da associação, arcando com um custo de 270 milhões de euros que seriam parcelados anualmente até 2021 (e ainda recebemos um desconto nos dois primeiros anos).

Apesar dos problemas, o ESO já considerava o Brasil como membro interino do grupo e oferecia algumas vantagens aos astrônomos brasileiros, como a avaliação de projetos de astrônomos brasileiros e facilidades para uso dos instrumentos pertencentes ao grupo de astrônomos. "O Brasil nunca vai conseguir construir uma infraestrutura de pesquisa desse porte sozinho; ao a gente se junta a esses grandes consórcios internacionais ou vamos ficar para trás".