Rússia se recusa a esclarecer ataque a ex-espião

Rússia se recusa a esclarecer ataque a ex-espião

A morte do ex-espião russo Sergei Skripal e da filha dele, Yulia, no último dia 4 na cidade inglesa de Salisbury, resultou na expulsão de 23 diplomatas russos do Reino Unido.

Um influente âncora da TV russa sugeriu nesta segunda que foi o próprio Reino Unido quem planejou o envenenamento.

Segundo a primeira-ministra, o agente identificado é de tipo militar e foi desenvolvido e fabricado na Rússia.

Moscou rejeitou imediatamente as acusações, chamando de "espetáculo circense no Parlamento britânico". Durante o julgamento, o Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB) disse que Skripal havia sido recrutado pelo M16 em 1995 e que continuara suas atividades de agente duplo depois de desligar-se do exército em 1999.

A embaixada do Reino Unido na Rússia, entretanto, negou a informação, sugerindo que o embaixador estaria visitando o ministério para conversar com um vice-ministro da chancelaria.

Kripal e a filha foram envenenados com um agente nervoso chamado Novichok que provoca um enfraquecimento do batimento cardíaco e a restrição progressiva das vias respiratórias, provocando a morte por asfixia.

O reino Unido convocou o embaixador russo Alexander Yakovenko ao gabinete de Relações Exteriores britânicos e deu o prazo desta terça-feira para receber as explicações.

Segundo o porta-voz do Kremlin, a Rússia segue disposta a cooperar com a investigação sobre as causas do incidente, mas "infelizmente não vemos a mesma disposição por parte do Reino Unido".

Apoio internacionalVários países e organizações demonstraram apoio a Londres em seu impasse com Moscou.

A Otan considerou "muito preocupante" o envenenamento, segundo o secretário-geral da Aliança Alântica, Jens Stoltenberg. Eles defenderam também que os culpados devem "sofrer consequências".

"Esta tentativa de homicídio utilizando um gás de nervos do calibre de armas numa cidade britânica não foi apenas um crime contra a família Skripal, foi um acto indiscriminado e irresponsável contra o Reino Unido, colocando as vidas de inocentes em risco", disse.

O governo britânico decide, nesta terça-feira (13), quais medidas irá tomar contra a Rússia, caso Moscou não explique, antes da conclusão do ultimato dado até a meia-noite, como ocorreu uma tentativa de assassinato de um ex-espião russo em solo britânico.