Unilever ameaça tirar publicidade do Google e do Facebook

Unilever ameaça tirar publicidade do Google e do Facebook

A multinacional Unilever está a estudar a possibilidade de deixar de anunciar em plataformas digitais como o Facebook e o Google, caso estas continuem a fomentar a divisão, a dar voz ao ódio ou a falhar em matéria de protecção de crianças. "Não podemos continuar a apoiar uma cadeia de fornecedores digitais, que distribui mais de um quarto da nossa publicidade dirigida aos consumidores e que, normalmente, é tão transparente quanto um pântano", declarou Keith Weed, responsável máximo pelo marketing da Unilever. O orçamento mundial de marketing da Unilever é de oito mil milhões de euros, dos quais dois mil milhões vão para o digital.

"Vamos dar prioridade apenas a plataformas responsáveis que estão empenhadas na criação de um impacto positivo na sociedade", acrescenta o discurso, citado pelo Financial Times. Entre os principais itens a serem desenvolvidos está a credibilidade das plataformas. Segundo esse documento, ele vai ressaltar que a Unilever está comprometida em enfrentar os estereótipos de gênero em sua publicidade e que só fará parcerias com organizações comprometidas em criar uma melhor infraestrutura digital.

A Univeler ainda vai anunciar uma parceria com a IBM que pretende criar uma tecnologia para reduzir a publicidade fraudulenta e prover dados mais reais de retorno sobre o investimento feito na internet.

O Google, unidade da Alphabet, e o Facebook teriam recebido metade da receita com anúncios on-line no mundo no ano passado e mais de 60% nos Estados Unidos, de acordo com a empresa eMarketer.Até o momento, as empresas não se pronunciaram sobre a notícia.

No ano passado, o YouTube enfrentou dois boicotes de anunciantes depois que reportagens mostraram que os anúncios de grandes marcas apareciam perto de vídeos de conteúdo questionável.

Durante visita a Europa no mês passado, executivos do Facebook deram uma série de declarações para se desculpar sobre a lentidão da plataforma para responder a abusos, buscando evitar que legislações mais restritivas, como a nova lei contra discurso de ódio da Alemanha, sejam aprovadas.