Presidente da África do Sul pronuncia-se quarta-feira sobre demissão

Presidente da África do Sul pronuncia-se quarta-feira sobre demissão

O Presidente da África do Sul parecia resistir à demissão, mas acabou por ceder.

Elementos dos Hawks, uma unidade de elite da polícia judiciária sul-africana, entraram no condomínio da família Gupta, em Saxonwold, nos arredores de Joanesburgo, numa altura em que o ANC aguarda uma resposta de Zuma, que tem recusado sempre as acusações de corrupção, à exigência de demissão. "Tomei a decisão de me demitir, com efeitos imediatos", declarou Zuma. "É um referendo sobre a verdadeira balança de poder dentro do partido", acrescentou.

"Não tenho medo de uma moção de censura nem de uma impugnação..."

A economia da África do Sul, a mais sofisticada do continente, estagnou sob o mandato de nove anos de Zuma, com bancos e empresas de mineração relutantes em investir devido à incerteza política e à corrupção desenfreada. De acordo com a TV, o partido também decidiu que irá tirar Zuma do poder caso ele não renuncie.

Mesmo assim ainda não certeza sobre a renúncia de Zuma. Afirma não ter cometido nenhum erro e sente-se uma "vítima".

Zuma, debilitado por um escândalo de desvio de recursos públicos, anunciou em um discurso televisionado à nação, que havia tomado "a decisão de se demitir como presidente da República com efeito imediato, embora esteja em desacordo com a direção da minha organização".

O presidente pode ser também afastado por uma moção de censura parlamentar. A moção seria assim apresentada esta quinta-feira.

Logo após o amanhecer desta quarta-feira, uma dezena de policiais bloqueou uma rua; que leva à mansão dos Gupta no luxuoso bairro de Saxonwold, em Johanesburgo.

Segundo a cúpula do partido, "mais adiante essa incerteza e ansiedade" corroeria "a renovada esperança e confiança dos sul-africanos" suscitada pela mudança de liderança que atravessou o antigo movimento de libertação em Dezembro do ano passado, quando o vice-presidente Cyril Ramaphosa foi eleito seu novo líder. Aí permanecerá pelo menos até às eleições de 2019.

O ANC afirmava esta quarta-feira que só reagiria às declarações oficiais do presidente e que nada diria das declarações da tarde.