Trump nega ter feito comentários racistas contra El Salvador e Haiti

Trump nega ter feito comentários racistas contra El Salvador e Haiti

As suas palavras, que voltam a causar polémica, terão sido ditas numa reunião na quinta-feira com deputados, para avaliar os problemas da imigração.

Trump "tuitou esta manhã negando que usou essas palavras".

O comentário referia-se ao debate sobre a chegada massiva de estrangeiros do Haiti, de El Salvador e de nações africanas.

"Por que estamos com todas essas pessoas dessas pocilgas ("shithole countries") vindo aqui?", indagou o presidente, segundo os relatos.

Os últimos comentários de Trump também forneceram material para anfitriões de talkshow.

"Temos que mostrar ao mundo que este presidente não representa os sentimentos da maior parte do povo americano".

No Twitter, o presidente fez uma retratação vaga, com referência apenas ao Haiti, e sugeriu que as declarações foram inventadas.

Trump então teria questionado por que os Estados Unidos deveriam aceitar imigrantes de "países de merda" em vez de, por exemplo, da rica e majoritariamente branca Noruega.

"O chamado acordo bipartidário apresentado ontem para mim e para um grupo de senadores e parlamentares republicanos era um grande passo para trás", escreveu Trump no Twitter.

As expressões "agridem a dignidade" dos cidadãos salvadorenhos, completou.

A União Africana considerou as declarações de Trump como "francamente alarmantes". "Dada a realidade histórica de quantos africanos chegaram aos EUA como escravos, a frase é uma afronta ao comportamento aceitável", disse Ebba Kalondo, porta-voz da organização.

Botsuana anunciou hoje que convocou o embaixador americano para expressar seu mal-estar.

"Estas declarações, cheias de ódio e desprezo, indignam o povo cubano, orgulhoso do contributo que ao longo da história recebeu dos nacionais e seus descendentes de diferentes latitudes, particularmente africanos e haitianos", disse o Ministério em comunicado.

O governo de El Salvador também protestou.

Donald Trump chegou na sexta-feira ao aeroporto internacional de Palm Beach, no sul da Florida, para se dirigir à sua residência de inverno para um fim de semana prolongado, já que na segunda-feira é feriado.

Nos EUA, as reações também não demoraram a aparecer. As Nações Unidas consideraram as declarações "chocantes, vergonhosas e racistas". O presidente Trump disse coisas cheias de ódio, vis e racistas.

"A fé de King e seu amor pela humanidade o levaram a defender valentemente os direitos civis do afro-americanos", completou Trump, afirmando que o reverendo acreditava que "não importava a cor de nossa pele, todos somos criados iguais por Deus". "Digamos que essa possibilidade estava na casa dos 40%, e ultrapassou a barreira dos 50%" disse Steve Bell, ex-assessor do orçamento do Senado do Partido Republicano.