Trump ameaça cortar ajuda externa aos territórios palestinianos por causa de Jerusalém

Trump ameaça cortar ajuda externa aos territórios palestinianos por causa de Jerusalém

Na terça-feira, Trump ameaçou cortar a ajuda financeira dos Estados Unidos à Autoridade Nacional Palestiniana (ANP) por se recusar a participar no processo de paz no Médio Oriente, depois de Washington ter reconhecido, a 06 de dezembro, Jerusalém como a capital de Israel.

"Nós pagamos CENTENAS DE MILHÕES DE DÓLARES por ano e não recebemos reconhecimento ou respeito. Eles nem sequer querem negociar um há muito devido (...) tratado de paz com Israel". Em uma sequência de mensagens, ele apontou que seu governo "retirou da mesa (de negociação) Jerusalém, o aspecto mais difícil de negociar". Mas como os palestinos já não estão dispostos a negociações de paz, por que devemos fazer esses enormes pagamentos?

"Não é só ao Paquistão que pagamos biliões de dólares para nada, mas também a muitos outros países, e mais".

A decisão de Trump sobre Jerusalém foi saudada por Israel mas desencadeou distúrbios e confrontos entre os palestinianos, que resultaram na morte de 13 palestinianos.

Hanan Ashrawi, do comité executivo da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), acusou Trump de ter "sabotado" a procura "pela paz, liberdade e justiça".

Na altura, Trump indicou que não especificava as fronteiras da soberania israelita na cidade e pediu que não se modificasse o 'status quo' dos locais sagrados de Jerusalém.

A ajuda financeira enviada pelos Estados Unidos é parte de uma verba que o orçamento do país reserva para este fim, e vem sendo usada há décadas, por presidentes republicanos e democratas, como moeda de troca em negociação de conflitos e ajuda humanitária em casos extremos.

A decisão de Trump provocou uma onda global de indignação e protesto.

Em 2016, os Estados Unidos destinaram US$ 319 milhões de ajuda aos palestinos através de sua agência de fomento ao desenvolvimento (USAID).

A embaixadora norte-americana condenou ainda a tomada de posição da maioria dos Estados-membros da ONU, classificando a resolução não-vinculativa como "pouco útil para a situação".

Este possível corte de financiamento surge em resposta a Mahmoud Abbas, chefe da Autoridade Palestiniana, que declarou que os EUA já não são neutros e que, portanto, não se qualificam para mediar as negociações com o Estado hebraico. "Não vamos ajudar, vamos garantir que eles voltam à mesa".