Brasileiro revela que planejou prisão na Venezuela

Brasileiro revela que planejou prisão na Venezuela

Pela primeira vez, o brasileiro Jonatan Moises Diniz, preso na Venezuela sob acusação de participar de uma organização criminosa e usar uma ONG como fachada para financiar opositores de Maduro, falou sobre os onze dias de encarceramento na sede do Sebin (Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional), a agência de inteligência da Venezuela.

"Foram onze dias de apreensão, de orações". Sem informações sobre seu paradeiro, o Itamaraty chegou a considerá-lo desaparecido. Admito. Com o dinheiro que eu tenho, não daria para salvar nem cem crianças.

Jonatan não detalhou o que teria feito para incitar a própria prisão.

"Me prenderam na sede do Sebin chamada, se não me engano, de Latin, que ficava muito perto do aeroporto de Maiquetía [que serve Caracas]". No desabafo Diniz também denunciou que os detentos da mesma cela não receberam comida em nenhum dia, e que se alimentavam graças aos esforços de suas famílias que levavam comida para eles. "Me fizeram ficar nu não sei quantas vezes e com quantos celulares tiraram fotos minha, inclusive mandaram ficar nu na frente de todos os detentos sem a mínima lógica na noite que cheguei", lembrou o ativista, mas esclareceu que em nenhum momento foi abusado sexualmente ou agredido fisicamente.

"De 11 dias, me deram comida somente dois ou três dias". Na sua página do Facebook, o catarinense havia relatado ter sido forçado a ficar nu em frente aos outros presos e não ter recebido comida durante vários dias.

O catarinense contou ainda que, durante o período preso, não pôde sair da cela para tomar sol, mas apenas para "assinar mais papelada" e "ser chamado de estafador e agente da CIA".

"Os 11 dias não pude receber visita, fazer chamadas ou nenhuma outra coisa". "Tentaram colocar terror psicológico falando que eu poderia ficar lá tanto um como mil dias, que ninguém havia me procurado e que ninguém nem se quer sabia de minha prisão", conta. Ele conta ainda que seis dos presos dormiam no chão e os demais, em um treliche "caindo aos pedaços". O sanitário era na própria cela e o banho à base de canequinha.

"Um dia antes de me soltarem, quando fui ao Saime [órgão público que faz documentos venezuelanos e estrangeiros] obrigado a assinar minha expulsão do país por infelizmente 10 anos, foi que tive conhecimento que meu nome estava na internet e que o caso tinha tomado grandes proporções", relatou. "Tomei meu voo direção Miami e logo direção Los Angeles, guardei segredo de minha localização simplesmente porque evito aparecer na televisão ou dar qualquer entrevista, os repórteres já sabem disso e mais uma vez porque jamais pedi ou quis ser famoso por nada, e nem se quer pedi reconhecimento de ninguém por meus atos, como já dito, quem quer ajudar de verdade alguém, não deve ajudar esperando algo em troca, você ajuda pelo simples fato de você querer ajudar".

Diniz afirmou que foi à Venezuela em dezembro com a intenção de ser detido como opositor, justamente para ganhar visibilidade. Ele já havia morado no país entre maio e agosto, no auge das manifestações contra Nicolás Maduro. Porque eu sozinho, com o dinheiro que eu tinha, não ia dar pra salvar nem cem crianças. Também disse que "odiava" o mandatário devido à repressão.