Inflação oficial do Brasil fecha 2017 em 2,95%, atesta o IBGE

Inflação oficial do Brasil fecha 2017 em 2,95%, atesta o IBGE

"Nossa visão não é que houve atraso, mas aquilo é que permitiu a inflação ficar baixa", disse Goldfajn em entrevista coletiva para explicar por que a inflação oficial em 2017 ficou abaixo do piso da meta.

Segundo o analista da Coordenação de Índices de Preços ao Consumidor Fernando Gonçalves, a partir de agora deverá ocorrer um “realinhamento” dos preços dos alimentos.

O sistema de metas de inflação foi criado em 1999 como uma forma de evitar o risco da hiperinflação, que atingiu o país nas décadas de 1980 e 1990 e só foi freada com o Plano Real em 1994. Segundo ele, foi justamente a cautela no ritmo de redução da taxa Selic (juros básicos da economia) que ajudou a segurar a inflação em 2017 ao influenciar as expectativas dos agentes econômicos e derrubar os preços dos serviços, que resistiam em cair em anos anteriores.

Em 2016, o IPCA havia acumulado alta de 6,29%. Ele lembrou que, desde o fim do ano passado, o IPCA voltou a aumentar para convergir em direção ao centro da meta. Os juros básicos são o principal instrumento de controle da inflação pela autoridade monetária e só são reduzidos se a autoridade monetária tiver segurança de que o barateamento do crédito não vai gerar aumentos de preços. Paralelamente, o BC começou a cortar a Selic, que passou de 14,25% ao ano em outubro de 2016 para 7% ao ano no mês passado, no menor nível da história. Ele ressaltou que o Relatório de Inflação do BC, divulgado a cada três meses, estima que a inflação fechará 2018 e 2019 em 4,2%.

A meta do governo era manter a inflação em 4,5% em 2017, com uma tolerância de 1,5%. Na tarde da quarta-feira 10, após a divulgação do dado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), uma carta aberta foi publicada pelo presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, endereçada ao ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que também é o presidente do Conselho Monetário Nacional (CMN), o órgão que define anualmente a meta para a inflação.

Sobre a possibilidade de a inflação subir por causa de uma alta do dólar motivada pelas tensões eleitorais, Goldfajn afirmou que o BC está preparado para agir por meio da venda de divisas no mercado futuro, em operações conhecidas como swaps cambiais, para segurar a cotação no caso de turbulências no mercado financeiro. Se esse grupo for excluído dos dados, a inflação chegaria a 4,54%, "valor muito próximo à meta de inflação para 2017".