Juros devem cair hoje ao menor patamar em 31 anos

Juros devem cair hoje ao menor patamar em 31 anos

O Banco Central fixou em 7% ao ano a taxa Selic na reunião do Copom desta quarta-feira (6 de dezembro), com redução de 0,5 ponto percentual. Ainda assim, a inflação em 12 meses acumula alta de 2,7%.

Política Monetária Notícia da edição impressa de 07/12/2017. Risco que se intensifica no caso de reversão do cenário externo favorável para economias emergentes.

O comunicado também menciona dois riscos benignos para a inflação. Se a taxa baixa, esse custo pode baixar.

Até agora, a menor taxa de juros já registrada é a que vigorou entre outubro de 2012 e abril de 2013, em 7,25% ao ano.

O rendimento da poupança, que em setembro girava em torno de 0,46% ao mês e, em outubro, 0,43%, agora vai a 0,4%. Os juros são considerados a menor taxa de retorno para o custo do dinheiro.

Já fundos com taxas acima de 2% ao ano perdem para a caderneta independentemente do prazo considerado. De acordo com o boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras divulgada pelo BC, a inflação oficial deverá fechar o ano em 3,03%, mesmo com os aumentos recentes nos preços dos combustíveis. O presidente da CNI, Robson Andrade, avaliou que a aprovação de reformas estruturais, como a da Previdência, e o rigor no controle de gastos públicos são fundamentais para a manutenção da taxa de juros em patamares reduzidos. Já a equipe de análise do Bradesco BBI condiciona suas expectativas ao andamento da reforma da Previdência na Câmara dos Deputados.

Se tudo sair dentro do figurino, em fevereiro a Selic cai mais 0,25 ponto, para 6,75%, conforme se depreende da frase a seguir, extraída do comunicado do Copom: "Para a próxima reunião, caso o cenário básico evolua conforme esperado, e em razão do estágio do ciclo de flexibilização, o Comitê vê, neste momento, como adequada uma nova redução moderada na magnitude de flexibilização monetária". Os juros internacionais deverão voltar a subir e as incertezas eleitorais podem pressionar o câmbio, com consequências sobre a dinâmica da inflação.

Para Alencar Burti, presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), o Banco Central tomou a atitude mais correta "porque a inflação está até abaixo do limite inferior da meta". "A falta de definição por parte da classe política em relação à aprovação da Reforma Previdenciária adia a perspectiva do ajuste fiscal", destacou. "Mas se aprovar, dá para até manter uma queda de 0,5 ponto". "Entendemos que, com esta queda 'conta-gotas', o BC perdeu uma ótima oportunidade para promover uma drástica redução na taxa básica de juros, que poderia funcionar como um estímulo para a criação de novos empregos e para o aumento da produção no País".

"Com os juros mais baixos, fica mais fácil viver, trabalhar".