Capítulo polémico do relatório de Pedrógão entregue a 37 famílias

Capítulo polémico do relatório de Pedrógão entregue a 37 famílias

Para o CDS, o relatório pode ser entregue na íntregra, podendo ser tratado de forma reservada pelo parlamennto, mas também admite que sejam retirados os nomes das vítimas do capítulo sexto, que aborda a forma como morreram as vítimas dos incêndios de junho.

O Ministério da Administração Interna (MAI) informou que "deu cumprimento" à deliberação da Comissão Nacional de Protecção de Dados ao disponibilizar partes do documento às famílias, as que dizem "especificamente respeito aos seus familiares".

Xavier Viegas, autor do relatório sobre o fogo de Pedrógão Grande, revela que houve "demora no socorro e no tratamento médico" às vítimas.

No seminário "As lições de Pedrógão Grande", que decorre hoje em Coimbra, promovido pelo Centro de Estudos sobre Incêndios Florestais, Xavier Viegas disse que "um plano pode ter o valor que tem, mas pelo menos representa que alguém se dedicou a pensar no problema e a colocar algumas linhas para ver como esse problema se pode minimizar ou resolver". Foi o que voltou a defender o investigador Xavier Viegas, coordenador do relatório sobre os incêndios de Junho encomendado pelo Governo.

No parecer, a CNPD refere que, "apesar do esforço de anonimização", é possível "relacionar os factos e situações descritos com as vítimas, testemunhas e sobreviventes e, com isso, identificar a quem dizem respeito".

Miguel Freitas anunciou ainda mais 46 milhões de euros para desenvolver o projeto "Aldeias Seguras", que abrange 25 localidades dos concelhos de Pedrógão Grande, Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos (distrito de Leiria), afetados pelos violentos incêndios de 17 de junho, que causaram oficialmente 64 mortos e mais de 250 feridos.