Cabral diz que Pezão foi responsável por indicar comissão do Maracanã

Cabral diz que Pezão foi responsável por indicar comissão do Maracanã

O anel de 220 mil euros, citado como contrapartida pela vitória da licitação da reforma do estádio Maracanã, foi chamado de "presente de puxa-saco" pelo ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB).

A existência do presente foi divulgada em outubro do ano passado, quando Cavendish negociava uma delação premiada, ainda não firmada.

"Ele me disse que estava presenteando a esposa e gostaria que eu pagasse". No entanto, classificou o comportamento do proprietário da Delta de "risível e covarde" e disse que revela o "desespero de um empreiteiro encalacrado". A licitação (do Maracanã) foi em agosto de 2010. "Ele me entregou o anel de presente, um presente de puxa-saco, querendo me agradar, e que foi devolvido", disse Cabral, em interrogatório, na tarde desta terça-feira, para a 7ª Vara Federal Criminal. Os executivos afirmaram ainda que o ex-governador Sérgio Cabral, pedia uma propina no valor de 5% sobre o faturamento dos empreendimentos e indicava o ex-secretário de governo, Wilson Carlos, como o responsável pela interlocução com as empresas.

Cabral enalteceu ainda seus feitos como chefe do Estado, mas foi interrompido pelo juiz Marcelo Bretas. Acha que vou entrar numa loja com um sujeito e pedir para ele comprar um presente para minha mulher? "Aquilo era um anel de compromisso entre mim e ele", disse Cavendish, sobre a joia, segundo o empresário adquirida em Nice, França em 2009, na companhia de Cabral. Meses depois, ele pediu ao ex-governador para que ele intercedesse junto à Odebrecht para que fizesse parte do consórcio que faria a reforma do Maracanã para a Copa.

Sérgio Cabral afirmou ter recebido doações da Delta para campanha política, mas admitiu o uso irregular somente no que chamou de "sobra de campanha", não no processo de licitações.

Cabral chegou à Justiça Federal, no início da tarde, trazendo nas mãos o livro "Nelson Mandela - Conversas que tive comigo", obra biográfica que reúne diários, cartas e anotações pessoais, entre outros documentos sobre a vida do líder sul-africano, cujo prefácio é escrito pelo ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama. O que recebi foi colaboração de campanha, e eles (delatores) hoje misturam campanha com propina ao bel prazer - disse.