Acordos de delação de Joesley e Saud são suspensos

Acordos de delação de Joesley e Saud são suspensos

Os dois se entregaram no último domingo, após decisão do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A princípio, o mandado era de prisão temporária.

Segundo o delator, Temer dividiu com o ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) - ex-homem forte de seu governo, atualmente preso - propina da Odebrecht na campanha de 2014.

Em manifestação no processo que discute a delação premiada, Janot explica que a omissão de informações pode acarretar na rescisão do acordo de delação, e por isso ele pede que os benefícios sejam suspensos. Isso não seria possível se a imunidade negociada em maio continuasse valendo.

A Procuradoria-Geral conseguiu resgatar áudios deletados de Saud e Joesley que indicam jogo-duplo do ex-procurador Marcello Miller. Saud é suspeito de ter omitido informações durante os depoimentos de colaboração premiada. A Corte iniciou na quarta-feira, 13, julgamento que pode retardar esse envio, no qual a defesa de Temer pede a "sustação" do processamento da denúncia até que a PGR conclua a análise sobre o acordo da J&F. Sem um motivo relevante, todavia, certamente como forma de tentar contornar as críticas à imunidade total antes firmada pelo PGR e concedida aos delatores, ainda no curso do prazo para apresentarem provas e documentos complementares, concedido pelo próprio STF, o Dr Janot, de maneira desleal e açodadamente, apresenta uma Denúncia fundada justamente nas provas produzidas na delação que agora quer rescindir, isso tudo sem sequer esperar a manifestação do Supremo a respeito da validade ou não do acordo.

A possibilidade de repactuação do acordo com a PGR no tocante a tempo de prisão, por exemplo, hoje é remota, conforme apurou a reportagem. Com isso, os executivos perderam os benefícios conquistados.

Caberá a Fachin agora aceitar ou negar o pedido de Janot.

Afirma também que "os demais membros da organização pertencentes a outros núcleos, como Joesley Batista e Ricardo Saud, ou mesmo do núcleo político que não foram objeto de imputação devem ter suas condutas avaliadas pelo Juízo competente, no caso, o Juízo da 13ª Vara Federal de Curitiba" perante o qual tramitam as seguintes ações'.

A prática, no mercado, é apelidada de "insider trading". No acordo de leniência com a Procuradoria no Distrito Federal, a multa acordada foi de R$ 10,3 bilhões.