Temer planeja atuar pessoalmente na CCJ para barrar denúncia na Câmara

Temer planeja atuar pessoalmente na CCJ para barrar denúncia na Câmara

A ideia dos membros do governo seria encerrar o caso "o mais rápido possível". Assim, o encerramento acelerado dos trâmites relativos à denúncia poderia evitar que uma eventual fala de Geddel influenciasse parte da classe política. Para o procurador, Temer e políticos do PMDB, que também constam na denúncia, participaram de um suposto esquema de corrupção envolvendo integrantes do partido na Câmara dos Deputados com objetivo de obter vantagens indevidas em órgãos da administração. Segundo avaliação dos aliados de Temer, ele terá mais facilidade para rejeitar a denúncia, depois do "desgaste" causado ao Ministério Público Federal (MPF) pela reviravolta nas delações da JBS.

O Supremo não poderá analisar a questão antes de uma decisão prévia da Câmara. O presidente da comissão, Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), deu trabalho à base, à época da primeira denúncia, ao escolher Zveiter, que teve o relatório recusado, após a "dança das cadeiras".

Para que a investigação seja autorizada, são necessários 342 votos, ou seja, dois terços do total de deputados.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Edson Fachin, relator dos casos referentes à Operação Lava Jato na mais alta Corte do país, e que também é o relator dos casos que envolvem a empresa JBS, dos irmãos Wesley e Joesley Batista, se manifestou de modo contundente em relação à apresentação da denúncia a ser formulada pelo procurador-geral da República Rodrigo Janot. A regra está no Artigo 86: "Admitida a acusação contra o presidente da República, por dois terços da Câmara dos Deputados, será ele submetido a julgamento perante o Supremo Tribunal Federal, nas infrações penais comuns, ou perante o Senado Federal, nos crimes de responsabilidade".

Na próxima quarta (20), o plenário do STF deverá analisar um pedido de Temer para suspender o andamento da denúncia até o fim das investigações sobre suposta omissão de informações nas delações de executivos da J&F, cujas provas embasaram a denúncia.

Após a PGR oferecer a nova denúncia, o Palácio do Planalto divulgou uma nota à imprensa na qual afirmou que a acusação contra o presidente Michel Temer é "recheada de absurdos" e mostra a "marcha irresponsável" de Rodrigo Janot.

Uma das principais é uma gravação de Joesley Batista, dono da J&F, com Temer, em março deste ano, no Palácio do Jaburu.