PF prende também Wesley Batista

PF prende também Wesley Batista

No dia seguinte, 18 de maio, o dólar disparou e a Bovespa despencou, a ponto de o pregão precisar ser momentaneamente interrompido. A operação rendeu lucro bilionário à companhia.

Os empresários prestaram diversos depoimentos e explicaram aos investigadores da Operação Lava Jato como funcionava uma vasta rede de corrupção que envolveu a JBS e mais de mil políticos no Brasil.

O pedido de prisão preventiva foi feito nessa manhã pela 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo.

Os suspeitos poderão responder por crime de uso de informação relevante, ainda não divulgada ao mercado, para propiciar vantagem indevida com valores mobiliários.

Segundo a PF, são investigados dois eventos separados, sendo o primeiro deles a realização de ordens de venda de ações de emissão da JBS na bolsa de valores por sua controladora, a FB Participações, e a compra dessas ações, em mercado, por parte da própria JBS.

Essa operação ocorre em cumprimento à ordem judicial expedida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin, que acolheu o pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de prisão temporária de Joesley Batista e Saud.

O segundo evento investigado é a intensa compra de contratos de derivativos de dólares entre 28 de abril e 17 de maio por parte da JBS, fora do padrão de movimentação comum da empresa, gerando ganhos decorrentes da alta da moeda norte-americana após a revelação da delação.

Joesley Batista e Saud se entregaram à PF no começo da tarde de domingo, em São Paulo.

No entanto, os benefícios do acordo foram suspensos depois que a acusação teve acesso a uma gravação de uma conversa entre Joesley Batista e de um executivo da JBS, no qual eles afirmam que omitiram informações durante as declarações às autoridades.

Com a suspeita de que Miller teria aconselhado os executivos em meio às negociações de delação premiada, Janot anunciou na segunda-feira (4) a revisão dos acordos de Joesley, Saud e também do advogado Francisco de Assis e Silva, diretor jurídico da J&F.

No sábado (9), a defesa dos delatores solicitou audiência com o ministro Fachin, antes de o magistrado decidir sobre a prisão, e colocou os passaportes dos executivos à disposição da Justiça, num esforço para demonstrar que os acusados não iriam fugir do País. O encontro com o ministro do STF acabou não acontecendo. "O Estado brasileiro usa de todos os meios para promover uma vingança contra aqueles que colaboraram com a Justiça".