Janot apresenta nova denuncia no STF: Temer comanda uma organização criminosa

Janot apresenta nova denuncia no STF: Temer comanda uma organização criminosa

O plenário do Supremo Tribunal Federal deverá rejeitar, no julgamento marcado para começar nesta quarta-feira, o pedido feito pelo presidente Michel Temer e manter o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, à frente da condução dos casos que o envolvem, mas o STF poderá discutir uma eventual nulidade das provas e do acordo de delação firmado por executivos da J&F, disse à Reuters uma fonte com conhecimento interno da corte. Além do mandatário, foram acusados por organização criminosa o ex-deputado Eduardo Cunha, os ex-ministros Henrique Alves e Geddel Vieira Lima, o ex-deputado Rocha Loures - conhecido como o "homem da mala" - e os atuais ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco. "Os prejuízos decorrentes da corrupção são difusos (lesões à ordem econômica, à administração da Justiça e à administração pública, inclusive à respeitabilidade do parlamento perante a sociedade brasileira), sendo dificilmente quantificados", escreve Janot. A nova denúncia também deve ser submetida aos deputados.

Considerado operador de propinas do PMDB, Lúcio Funaro também foi citado no relatório.

"Ao fazer esse movimento, tenta criar fatos para encobrir a necessidade urgente de investigação sobre pessoas que integraram sua equipe e em relação às quais há indícios consistentes de terem direcionado delações e, portanto, as investigações", diz a nota distribuída pela Presidência da República.

Após a divulgação dos áudios, Janot anunciou uma nova investigação a respeito das atividades de Joesley Batista, e de Ricardo Saud e Francisco de Assis e Silva, executivos da empresa.

O principal motivo para a mudança de postura do ministro em relação à primeira denúncia foi a possibilidade de cancelamento do acordo de colaboração premiada de Joesley Batista e de Ricardo Saud.

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse nesta quinta-feira, 14, que enviará a nova denúncia contra o presidente Michel Temer para a Comissão de Constituição e Justiça da Casa (CCJ) assim que a acusação chegar à Casa legislativa. A denúncia, porém, foi barrada na Câmara em agosto.

Se o prosseguimento da denúncia for autorizado pela Câmara e ela for aceita pelo Supremo, Temer deverá ser afastado do cargo por 180 dias.

Para a defesa de Temer, Janot deve ser considerado suspeito, porque demonstra parcialidade ao atuar nas ações relacionadas ao presidente. Apenas com a autorização dos deputados, o Supremo poderá analisar a denúncia e decidir se torna réu ou não o peemedebista.