'Facínoras roubam do país a verdade', diz Planalto sobre acusações contra Temer

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira uma nova denúncia contra o presidente Michel Temer, acusando-o de obstrução da Justiça e de ter atuado como líder de organização criminosa. De acordo com as investigações, além de Temer, fazem parte da suposta quadrilha os ministros Moreira Franco (Secretaria-Geral) e Eliseu Padilha (Casa Civil), os ex-deputados Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) e Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e o ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB-BA). O esquema teria movimentado cerca de 587 milhões de reais em propina. "Os prejuízos decorrentes da corrupção são difusos (lesões à ordem econômica, à administração da Justiça e à administração pública, inclusive à respeitabilidade do parlamento perante a sociedade brasileira), sendo dificilmente quantificados", escreve Janot. Ainda segundo a Procuradoria, há indícios de que Miller tenha cometido o crime de exploração de prestígio, além da possibilidade de ter sido cooptado pela organização criminosa composta pelos executivos da JBS, "passando, em princípio, a integrá-la". A acusação estava baseada nas investigações iniciadas a partir do acordo de delação premiada da JBS.

Durante a investigação, a defesa de Temer questionou os benefícios concedidos a Joesley Batista pela PGR no acordo de delação.

A primeira denúncia, por corrupção passiva, foi barrada no início de agosto pela Câmara. Temer, os delatores Joesley Batista e Ricardo Saud, e um grupo de ex-minsistros e deputados do PMDB foram incluídos na denúncia de Janot.

Mariz também voltou a defender que eventual denúncia que deve ser apresentada esta semana por Janot contra o presidente deveria ser suspensa até que a PGR termine a apuração interna sobre a revisão dos acordos de delação da JBS, que devem ser usados como base para acusação contra o presidente.

Todo o procedimento é estabelecido pela Constituição Federal, já que trata-se da abertura de um processo criminal contra o presidente da República. Apenas com a autorização dos deputados, o Supremo poderá analisar a denúncia e decidir se torna réu ou não o peemedebista.

"Vamos enfrentar (a denúncia) com a certeza da razão do nosso lado e em breve derrotar na Câmara (o requerimento de Janot); nós, da Câmara, temos pressa", afirmou o deputado, acrescentando que o governo ainda não chegou a um consenso sobre os "aspectos políticos e jurídicos da estratégia de defesa".