Janot vai denunciar Joesley Batista por obstrução da Justiça

Janot vai denunciar Joesley Batista por obstrução da Justiça

Ao questionar se ilegalidades parecidas não podem ter ocorrido em outras delações, como a do ex-senador Delcídio do Amaral, Gleisi criticou o fato de o ex-presidente Lula ter sido novamente intimado a depor nesta quarta-feira (13). Caso contrário, o processo é suspenso até que Temer deixe a presidência.

O Supremo analisará a denúncia somente se a Câmara autorizar. De lá, seguirá para o plenário da Casa, onde são necessários votos pela abertura da investigação de pelo menos 342 deputados, o equivalente a 2/3 dos 513 parlamentares que integram a Câmara.

A PGR baseou-se nas delações dos executivos da JBS e do corretor de valores Lúcio Funaro para a elaboração da denúncia. O operador confirmou na delação a compra de silêncio por Joesley com a chancela de Temer.

Relatório conclusivo da Polícia Federal sobre o chamado "quadrilhão" do PMDB da Câmara indicou que o presidente Michel Temer recebeu R$ 31,5 milhões de vantagens por participar da organização criminosa formada por políticos, que atuou na Petrobrás e na administração federal. A partir de segunda-feira (18), Raquel Dodge sucederá o procurador, que ficou no cargo por dois biênios. A acusação contra os dois empresários foi possível por causa da rescisão do acordo de delação premiada feita por eles, já que dois omitiram informações em seus primeiros depoimentos ao Ministério Público Federal.

A defesa de Temer entrou com o pedido no Supremo na última sexta-feira (8), após o vazamento dos áudios de Joesley Batista, sócio da J&F, e do ex-diretor de relações institucionais da empresa Ricardo Saud. O áudio foi entregue pelos delatores no dia 31 de agosto. Agora pelos crimes de obstrução à Justiça e organização criminosa. Nove dos 11 ministros votaram contra o pedido de Temer. O ex-procurador nega as irregularidades e diz que não usou o cargo público para favorecer a JBS. Temer conseguiu engavetá-la com uma série de manobras para derrubar o parecer do deputado Sérgio Zveiter (PMDB-RJ) que pedia a continuação do processo.

Janot apresentou o documento com base nas delações de executivos da J&F. Metade da bancada tucana votou contra o presidente na primeira denúncia.

Esse debate, cujo entendimento do Supremo não valerá apenas para Temer, poderá abrir o seguinte precedente: uma denúncia ou investigação poderá ser paralisada até o julgamento de pedidos de suspeição feitos por defesa de acusados, segundo a fonte.

O mandato de Janot à frente da PGR termina neste domingo (17).