Funaro diz que Temer o mandou pagar propina a Moreira e Geddel

Funaro diz que Temer o mandou pagar propina a Moreira e Geddel

Lúcio Funaro, o operador de Eduardo Cunha resolveu mesmo falar.

O dinheiro, segundo Funaro, foi destinado principalmente à "campanha para Presidência da República no ano de 2014" e à campanha do ex-deputado federal Gabriel Chalita à Prefeitura de São Paulo em 2012.

Segundo diz em seu depoimento, Funaro teria ficado sabendo por Cunha que Temer sabia do acerto entre a Odebrecht e o PMDB para pagamento de propinas em negócios da empreiteira com a Petrobras nas área de segurança e meio ambiente em dez países.

Segundo Funaro, "de todas as operações feitas com o grupo J&F, Geddel recebeu ou receberia comissões pagas por ele, com exceção da operação de crédito para a compra da empresa Alpargatas pela J&F".

Funaro também afirma que, quando Moreira Franco era o vice-presidente da Vifug, em 2009, fez uma operação para a empresa CIBE -uma sociedade entre os grupos Equipav e Bertin- e, para isso, pagou comissão ao ministro e a Eduardo Cunha, embora não se recordasse dos valores naquele momento.

Funaro, que está preso no complexo penitenciário da Papuda (Brasília) e estaria negociando delação, afirmou que pagou "comissão" ao ministro da Secretaria-Geral da Presidência e um dos principais aliados do presidente Michel Temer, Moreira Franco.

Funaro disse que foi ele quem apresentou Geddel ao empresário Joesley Batista, da JBS.

O operador do PMDB ainda relatou repasses para o ministro Moreira Franco e os ex-ministros Geddel Vieira e Henrique Alves.

Por interesse em obter linhas de créditos junto à Caixa por parte do dono da JBS, a relação entre os dois começou a fluir e a cada operação feita pelo grupo comandado por Joesley, o J&F, o ex-ministro recebia comissões.

A primeira operação efetuada para a J&F foi a liberação de operação de crédito para a conta empresarial.

O corretor de valores afirmou ainda que trabalhou na arrecadação de fundos das campanhas do PMDB em 2010, 2012 e 2014 e que estima que tenha arrecadado cerca de R$ 100 milhões para o PMDB e partidos coligados.

O ministro Moreira Franco negou a acusação: "Que país é esse, em que um sujeito [Funaro] com extensa folha corrida tem crédito para mentir?" Não conheço essa figura, nunca o vi.

A defesa de Geddel Vieira Lima divulgou uma nota em que rechaça "a prática de qualquer ilicitude por parte do seu constituinte". "Cumpre esclarecer que Geddel não possuía autonomia para conceder ou liberar empréstimos nem para alterar taxas de juros".

A reportagem procurou a defesa de Temer, que ainda não se manifestou sobre os relatos de Funaro. É importante ser ressaltado que, desde que se viu injustamente enredado em procedimentos de apuração instaurados em seu desfavor, o Senhor Geddel Vieira Lima colocou-se à disposição de todas as autoridades constituídas, comparecendo espontaneamente para prestar declarações, inclusive com deslocamentos para capital federal, disponibilizando os seus sigilos bancário e fiscal, não criando qualquer óbice para o prosseguimento das investigações.

O controle acionário da LLX, uma das empresas citadas por Funaro, saiu das mãos do empresário Eike Batista em 2013, passando a um grupo norte-americano, que também trocou o nome da empresa para Prumo Logística.